“A medida que a transmissão e a distribuição começarem a ficar mais estressadas, conforme for aumentando a carga do sistema, faz mais sentido você ter o armazenamento”. É o que destacou o doutor em engenharia elétrica José Wanderley Marangon Lima, especialista em geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica.

Segundo o especialista, quando acontece essas situações, o governo sempre acaba construindo novas linhas, novas subestações. Ele avalia que esta não é a solução. “Vamos fazer o seguinte: usar baterias para mudar o congestionamento da rede. Hoje, nos Estados Unidos é feito muito”.

“Nos EUA, basicamente tudo é térmico. Você não vê lá grandes linhas de transmissão como é visto no Brasil. Aqui, a gente precisou pegar a energia de longa distância, e fizemos uma coisa que foi boa, em um respectivo momento, que é a otimização energética: traz eletricidade do Nordeste, vai para o Sudeste, joga para o Sul. Isso foi interessante em uma determinada época”, acrescentou.

“Só que hoje acabou. Nossos reservatórios estão com água lá embaixo, assim não dá para fazer essa bateria de água que tínhamos antes. E o sistema de transmissão, o pessoal está investindo demais. Portanto, acredito que estamos no ponto de chegarmos para a EPE (Empresa de Pesquisa Energética) e dizer para não ficar botando tanta linha”, ressaltou Marangon. 

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Marangon também avaliou a presença da energia eólica no país. “Vem o pessoal da eólica e diz ser preciso colocar 3 GW no Agreste Pernambucano. Entretanto, as linhas lá, por exemplo, podem não dar suporte e, neste caso, tem corte de carga. O que tem que ser feito então? Vamos colocar armazenamento, otimizar o uso dessa rede”, explicou. 

Concluindo, enfatizou que a regulação tem que mudar muito para tentar potencializar os recursos que o país possui e a bateria será a grande vedete nessa otimização. 

“As baterias são essenciais, mas temos que dar um empurrão. A ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) tem que olhar isso logo. Vamos ver o que ela vai propor para dar um sinal econômico melhor para quem quer investir em armazenamento”, concluiu. 

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