Com o crescimento da GD (geração distribuída) de energia elétrica no Brasil, modalidade na qual a fonte solar fotovoltaica é, sem dúvidas, a mais expressiva, vem ocorrendo um movimento cada vez mais intenso por parte de entidades ligadas ao setor elétrico de questionar os benefícios que o setor pode trazer para os consumidores. 

Uma das afirmações divulgadas pelas entidades é a de que a geração distribuída, principalmente a solar fotovoltaica, beneficia apenas grandes consumidores, em sua maior parte empresas.

Para esclarecer melhor essa questão, a reportagem do Canal Solar conversou com o economista Ricardo Buratini, coordenador do Núcleo de Estudos em Economia e Energia da FACAMP (Faculdades de Campinas).  

De acordo com o especialista, a afirmação de que a geração distribuída solar só beneficia grandes corporações não procede. “Ela beneficia também o pequeno produtor, os comerciantes e todos aqueles consumidores e empreendedores que têm a consciência de que a energia renovável é boa para o país e uma ótima opção para a redução de custos ao longo do tempo”, explicou.  

Segundo Buratini, tanto a fonte solar como a eólica beneficiam as entidades do setor elétrico brasileiro. “Por causa de questões climáticas e de um mau planejamento recente, não temos mais muita água nos reservatórios, seja porque está chovendo menos ou porque não pudemos construir mais usinas hidráulicas. As energias renováveis alternativas [solar e eólica], nesse sentido, ajudam bastante nesse momento em que o nosso tradicional modelo hidrotérmico [formado por usinas hidrelétricas e termelétricas] está em crise pela incapacidade de guardar água”, disse.

Questionado sobre a importância dos investimentos pulverizados (consumidores de baixa tensão) e sobre o quanto isso contribui para a economia nacional, Buratini citou um levantamento divulgado em janeiro deste ano pela ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica).

O documento aponta que a soma dos novos investimentos privados em GD e GC (geração centralizada) poderão ultrapassar a marca de R$ 22,6 bilhões em 2021. Segundo Buratini, tratam-se de números “bastante significativos, ainda mais num momento em que a economia brasileira sofre uma tendência de recessão em função da pandemia”, comentou.  

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Por causa disso, o economista defende que ocorram mais investimentos pulverizados para o crescimento da GD solar no Brasil. Segundo ele, além dos benefícios proporcionados, a fonte fotovoltaica se tornou uma importante ferramenta para a geração de empregos e para o desenvolvimento de tecnologias e novos modelos de negócios.

“Ela poderia ser melhor aproveitada se houvesse um projeto de desenvolvimento setorial bem articulado. Seria necessário um envolvimento coletivo de empreendedores e de políticas públicas adequadas, além de crédito para a compra de equipamentos e desenvolvimento de novas competências (…) Enfim, é preciso pensar a longo prazo, pois melhorariam bastante as perspectivas para a economia brasileira”, ressaltou. 

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