A energia solar vem crescendo nos últimos anos no Brasil. Segundo dados da ABSOLAR (Associação brasileira de Energia Solar Fotovoltaica), o setor já trouxe, desde 2012, cerca de R$ 45 bilhões em investimentos ao país e gerou mais de 245 mil empregos.

Conforme aumenta o interesse pela instalação de sistemas, cresce também o número de consumidores que buscam surfar nessa onda sustentável. No entanto, para conseguir obter sucesso na área, é preciso se atentar com relação às empresas distribuidoras – se, no caso, as mesmas estão devidamente qualificadas para atuar com tal tecnologia.

“Partindo do princípio de que é preciso ter qualificação e expertise – equipe técnica devidamente especializada, portanto – o integrador tem que se inteirar das opções em relação aos fornecedores e selecionar aquele que mais se adequada a sua proposta: qualidade, preço, e relação custo x benefício”, disse Francis Polo, CEO da Polo Engenharia Elétrica & Fotovoltaica. “É fundamental entregar o que é prometido, e, nesse sentido, todo cuidado é pouco, caso contrário a empresa não vai durar”, acrescentou.

De acordo com o executivo, o básico é verificar a quanto tempo o fornecedor está no mercado, buscar referências de outros integradores – parceria sólida é algo essencial – conhecer o portfólio de produtos, certificações, eficiência e vida útil dos equipamentos (de painéis a inversores), assim como as garantias oferecidas. 

“Tudo isso pode variar muito de um fornecedor para outro e tende a fazer a diferença no posicionamento do integrador. Imagine se você instala um sistema e o fornecedor repentinamente sai do setor ou não cumpre com a garantia, a quem o integrador recorre, como sai dessa enrascada?”, indagou. 

Na Polo, por exemplo, ele cita que a empresa definiu desde o início que trabalhariam com soluções personalizadas. “Para isso, buscamos um fornecedor que se enquadrasse nos critérios citados, além de contar com uma gama de produtos que nos permitisse desenvolver projetos específicos para a necessidade de cada cliente, seja de geração centralizada ou distribuída”, finalizou.

O engenheiro Cirano Shibuya, diretor da Inca Solar, também deu algumas dicas para quem busca encontrar distribuidores de confiança, principalmente após ser vítima da Raika, empresa localizada em Brusque (SC), acusada de não entregar as mercadorias no prazo estabelecido. “Eles não entregaram três placas e uma estrutura para telhado que pedimos até hoje, sendo que o prazo era até início de janeiro deste ano”, relatou. 

“Portanto, é interessante consultar o Reclame Aqui e ver o que estão falando da distribuidora que está comprando, sobretudo se as reclamações foram atendidas”, enfatizou.

“Outro local interessante é o Google Maps. Ao digitar o endereço, é possível observar as avaliações feita por terceiros. Seja mais criterioso ao verificar os comentários negativos, afinal a própria companhia pode pedir a amigos que a avaliem positivamente”, finalizou.

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Danilo Yasunaka, sócio proprietário da Sunlight Energia Solar, compartilha com essa premissa e destacou ainda que desde que abriu sua empresa decidiu que iria trabalhar somente com marcas líderes de mercado.

“Digo ser uma situação complicada, às vezes, procurar muito por preço. Infelizmente, existem várias pessoas que trabalham só com custos, porém isso pode custar sua empresa”, relatou.

“Assim, devido à experiência que tenho, que é pouca ainda, de dois anos, é uma experiência que fez com que eu tomasse a decisão de, quando abri a Sunlight, de trabalhar só com os melhores para termos questões de garantia”, concluiu Yasunaka. 

Fatores essenciais na escolha do distribuidor

Segundo pesquisa realizada pela Greener, competitividade de preço, bem como marca e qualidade dos equipamentos, foram os fatores que os integradores consideraram essenciais na hora de escolher o distribuidor. 

“A questão da logística e prazo de entrega costumam ser importantes também. Mas o atendimento talvez seja o diferencial, como eventuais necessidades de suporte técnico”, comentou Márcio Takata, diretor da consultoria. 

“O pessoal olha muito preço, porém o atendimento eficiente, tanto na venda como no pós-venda são fundamentais para os integrados. Para mim, a escolha tem que ir além do valor oferecido. Muitos vão nos apresentar um custo baixo, entretanto penso que existem outros atributos importantes na escolha do distribuidor ideal”, completou Takata. 

Análise jurídica

O advogado Frederico Boschin fez uma análise, do ponto de vista jurídico, sobre o tema e ressaltou o estabelecimento de parcerias para garantir um elo de confiabilidade entre integrador e empresa distribuidora para evitar futuros problemas. 

“Em linhas gerais, é importante recapitular que o fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como entes despersonalizados, que desenvolvem atividades de produção, montagem, criação, construção, transformação, etc”, apontou.

“Portanto, a responsabilidade perante o consumidor final cabe ao fornecedor ou prestador de serviço, tendo em vista que, conforme vimos, é ele o personagem responsável pela exploração da atividade econômica e sujeito de direitos e obrigações ante o mercado de consumo. Como tal, será responsabilizado, caso não observe os direitos citados no código do consumidor. Entretanto, o fabricante também é responsável pela qualidade e consequências dos produtos que coloca no setor para consumo”, explicou Boschin.

Neste sentido, ele relatou que a teor do art. 18 do Código de Defesa do Consumidor, tanto o fornecedor quanto o fabricante de produto são responsáveis por eventuais danos causados aos consumidores adquirentes do equipamento. “Nesse caso, cabe a estes escolherem contra quem demandar, por tratar-se de hipótese de responsabilidade solidária”.

“Sendo os equipamentos solares investimentos de alta relevância e de ciclo de vida longo, é absolutamente indispensável a formação de parcerias de igual longo prazo com distribuidores, importadores e fabricantes, pois a cadeia de responsabilidades perante o consumidor pode incorrer em responsabilidade ao integrador”, esclareceu. 

Dito isso, o especialista acredita ser essencial ao integrador de sistemas fotovoltaicos o estabelecimento de parcerias, onde o pós-venda seja satisfatório ao cliente e o arranjo comercial garanta um correto endereçamento de eventuais problemas de qualidade dos produtos.

“Mesmo que se considere a venda direta dos equipamentos do distribuidor ao cliente final, ficando o integrador apenas responsável pelo projeto e instalação, cabe ao mesmo o acompanhamento do projeto e a responsabilidade por eventuais desacertos”, enfatizou. 

Outro aspecto relevante apontado pelo advogado é a escolha de distribuidores com estoque para a cobertura de eventos de rápida substituição de equipamentos defeituosos, bem como aqueles que mantêm acordos oficiais de distribuição de produtos com fabricantes. 

“Estas questões indicam a presença do fabricante no Brasil. Outro ponto é verificar a confiabilidade financeira do distribuidor, visto que qualquer desacerto de caixa (no caso de venda direta) pode representar ao integrador evento desfavorável perante o consumidor final, seja financeiro ou na sua reputação comercial”, analisou Frederico Boschin.

“O integrador avaliza a lisura da compra e a qualidade do equipamento, sendo certo que estes aspectos nem sempre estão sob o domínio do integrados. Então, somente a parceria de longo prazo pode garantir esse elo de confiança”, concluiu.

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