Mesmo num cenário de crise econômica provocada pela pandemia da Covid-19, as contas das principais distribuidoras de energia elétrica do país apresentaram lucros quase que bilionários, segundo balanços divulgados pelas próprias empresas ao longo das últimas semanas.

O Grupo Energisa, por exemplo, anunciou na noite da última quinta-feira (13) que obteve um lucro líquido consolidado de R$ 873,3 milhões no primeiro trimestre deste ano. Trata-se de um crescimento de 50,1% na comparação com o mesmo período de 2020.

Outra distribuidora que registrou grande arrecadação no primeiro trimestre foi a CPFL Energia, com lucro líquido de R$ 961 milhões e um aumento de 6,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado foi alcançado, sobretudo, pelo bom desempenho da companhia em geração de energia eólica e pela recuperação da venda de energia na área de concessão.

Já a Copel também viu o seu lucro líquido subir. Foram R$ 795 milhões nos primeiros três meses do ano, uma alta de 55,6% ante o mesmo período de 2020, segundo documento enviado pela empresa ao mercado no dia 7 de maio. Desconsiderando a “Operação Descontinuada” da entidade, a cifra cai para R$ 759,2 milhões, um aumento de 50,5%.

A distribuidora Equatorial Energia, por sua vez, lucrou R$ 401 milhões no primeiro trimestre e obteve alta de 7% em comparação com o mesmo período do ano anterior. O balanço consta no documento enviado ao pela empresa ao mercado na última quarta-feira (12).

Entre as grandes distribuidoras pesquisadas pelo Canal Solar, a Enel-SP foi a única que apresentou queda nos lucros na comparação dos primeiros trimestres de 2021 com 2020. Mesmo assim, somente em janeiro, fevereiro e março deste ano R$ 136,5 milhões foram arrecadados de forma líquida pela empresa. Em 2020, o valor foi 12% maior (R$ 155,2 milhões).

De acordo com a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), o serviço público de distribuição de energia elétrica é realizado no Brasil por concessionárias, permissionárias e designadas. Atualmente, o país conta com a operação de 52 concessionárias, 52 permissionárias e uma designada, totalizando 105 agentes atuando no mercado de distribuição, entre os setores públicos, privados e de economia mista.

Análise dos números

Na avaliação de Bernardo Marangon, especialista no setor de mercados em energia elétrica, os balanços apresentados pelas distribuidoras evidenciam que as empresas estão saudáveis e com as contas bem equilibradas, apesar da pandemia. 

Segundo ele, o fato de continuarem obtendo saldos positivos neste período mostra o quão bem são protegidas pela regulação. “Isso não é nenhum absurdo, porque em outros países o modelo de distribuição opera dentro do princípio do monopólio natural”, explicou.

“Então, por isso existem os mecanismos de reajuste e revisão tarifária. Apesar do monopólio natural, a ANEEL procura criar uma competição entre as distribuidoras na busca de mais eficiência e qualidade no serviço de distribuição. Mas, em momentos críticos, onde há riscos, a ANEEL também busca formas de proteger essas instituições”, ressaltou Marangon.

Source link