Durante participação no podcast Papo Solar, Gustavo Tegon, especialista em vendas e co-fundador da Esfera Solar, discorreu sobre o atual cenário do setor fotovoltaico internacional e comentou ainda sobre suas expectativas quanto ao Brasil.

Entre os destaques apontados pelo executivo, estão a recente movimentação nos Estados Unidos após a posse de Joe Biden como presidente, a retomada nas vendas de equipamentos na Europa e a crescente demanda no mercado indiano.

“Existem várias coisas acontecendo no exterior. Por exemplo, tivemos a troca de presidente nos Estados Unidos. Com isso, todas as leis e imposições que foram colocadas pelo Trump, estão sendo removidas pelo Biden – que gosta de energia limpa e renovável”, disse.

“Então, a redução de compra imposta pelo Trump não vai acontecer. O país norte-americano volta a ser um mercado atuante nas compras globais de módulos”, relatou Tegon.

Com relação à Europa, o executivo destacou ser um segmento já consolidado, mas que novas tecnologias estão reaquecendo a demanda na região. “O que acontece por lá? O europeu que já tem instalado em seu comércio, empresa, indústria ou casa aquele painel antigo – de 250 W – não quer mais tal produto. Resolveu que comprará novos equipamentos, pois o sistema já se pagou”.

“Países como Itália, França, Portugal e Alemanha, por exemplo – lugares que não imaginávamos que as compras seriam em maior escala – começaram a mudar o jogo, pois estão comprando bastante. A expectativa de venda para esse setor primário da Europa era um, e hoje é praticamente três vezes mais”, apontou. 

O especialista também destacou que o mercado do leste europeu, como na Polônia, República Tcheca, Eslováquia e Romênia – que antes eram acanhados com relação à geração distribuída e centralizada – começaram também a investir nesses segmentos. “A Europa, que era carta fora da mesa, volta a ser a carta no centro da mesa, assim como os Estados Unidos”. 

Somado a todos estes movimentos que, segundo Tegon, estão impactando a demanda e, consequentemente, toda a cadeia produtiva da indústria fotovoltaica, está a medida anunciada pelo governo indiano que visa amadurecer o mercado interno.

“Temos o governo indiano trabalhando numa força tarefa de subsídios para que a indústria de módulos migre para a Índia, mas não a chinesa, e sim a própria indústria nacional. O custo do produto indiano, comparado com o chinês, é mais ou menos 7% mais caro. O que o governo está fazendo? Está impondo tarifas absurdas sobre esse produto para que o mercado indiano pare de consumir na China e consuma internamente”, ressaltou o co-fundador da Esfera Solar.

Mercado brasileiro x internacional

Questionado sobre o futuro do mercado fotovoltaico brasileiro, Tegon destacou que o Brasil precisa passar por uma grande reforma para conseguir competir com o setor internacional. “A mentalidade do governo brasileiro precisa ser mudada. Não adianta discutir isso com a situação atual”.

“Da maneira como está, da não competitividade que o produto nacional tem, simplesmente perdemos oportunidades. Me dói falar isso, mas não acredito que tenhamos chance de competir com a China, conforme a índia tem desbravado”, acrescentou. 

No entanto, para Tegon, o Brasil tem tudo para que nos próximos anos volte a ser um país industrial como sempre foi, devido ao seu enorme potencial de crescimento. “Nossas indústrias estão indo embora pela falta de planejamento, por serem escassas”. 

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