Após enfrentar um longo período de irregularidade no regime de chuvas, as previsões para o segundo semestre deste ano já preocupam o setor elétrico brasileiro, com as últimas atualizações meteorológicas indicando o retorno do fenômeno “La Niña”.

O evento climático, que consiste em uma alteração cíclica das temperaturas médias do Oceano Pacífico, é responsável por efeitos que implicam na formação de secas no Brasil, sobretudo na região Sul, onde estão localizados os principais reservatórios do país.  

Ana Ávila, pesquisadora do Cepagri (Centro de Pesquisas Meteorológicas) da Unicamp destaca que o fenômeno, apesar de não aparentar que vai ser tão intenso como em outras oportunidades, deverá novamente causar influências sobre o regime de chuvas.

“Existe uma grande possibilidade desse fenômeno, mesmo que fraco, trazer uma incerteza maior com relação à retomada das chuvas na estação da Primavera, entre os meses de setembro e dezembro”, comentou.

Bernardo Marangon, especialista em mercados de energia elétrica e diretor da empresa Exata Energia, explica que a chegada da La Ninã traz uma série de incertezas ao setor. 

“A grande preocupação é que isso atrapalhe o período úmido (que registra historicamente mais chuva) e a gente tenha menos chuvas, menos vazão nas principais bacias e, eventualmente, mais problemas a partir do ano que vem”, afirmou.

Marangon destaca também que, apesar de ainda ser muito cedo para qualquer tipo de alarde, o ideal seria que estivessem sendo feitos no país a aprovação de projetos voltados para o setor de energia renovável, visando retirar a dependência de mais de 60% das hidrelétricas na matriz energética brasileira.

“Do ponto de vista de apoio a uma eventual crise hídrica, o ideal era que os movimentos [de aprovação de projetos de energias renováveis] já estivessem sendo feitos agora, pois demora para organizar e construir”, disse ele.

Crise hídrica

O Brasil passa hoje pela maior crise hídrica dos últimos 91 anos, com níveis críticos de reserva de água em seus reservatórios estratégicos. O problema vem se alastrando desde outubro do ano passado. 

Neste meio tempo, o Governo Federal já precisou, por exemplo, importar energia de países vizinhos, como Argentina e Uruguai, e aprovar despachos para o acionamento das usinas termelétricas para garantir que não houvesse desabastecimento de energia.  

De acordo com dados do ONS (Operador Nacional de Sistemas), os reservatórios das usinas do subsistema Sudeste/Centro-Oeste estão há mais de um mês operando em patamares críticos, com menos de 30% de sua capacidade. O complexo é responsável por cerca de 70% da reserva energética do país.

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