O Dia de Sobrecarga da Terra (Earth Overshoot Day) chegou mais cedo do que o previsto e o mundo esgotou, nesta quinta-feira (29), todos os recursos naturais que o planeta é capaz de renovar ao longo do período de um ano.

Ou seja, em 2021, a Terra esgotou o seu orçamento energético em menos de sete meses e vai ter que operar até o fim de dezembro com déficit ecológico.

Trata-se de um dos piores índices registrados desde que o mundo entrou em sobrecarga ambiental, no começo da década de 1970. O cálculo do Overshoot Day foi feito pela Global Footprint Network (GFN), uma organização internacional de pesquisa. 

De um lado, a entidade analisou a biocapacidade do planeta, que seria a quantidade de recursos ecológicos que a Terra consegue gerar em um determinado ano. Do outro lado, foram avaliadas as demandas energéticas do mundo. Com essas informações, a instituição mediu em quantos dias a biocapacidade seria suficiente para suprir a demanda energética do planeta. 

Cada vez pior

De acordo com a instituição, o Overshoot Day tem chegado cada vez mais cedo conforme os anos vão se passando. Em 1970, os recursos mundiais se esgotaram em 29 de dezembro. Em 2000, o déficit foi alcançado em outubro, enquanto em 2010, foi no fim de agosto.

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Entre os fatores que mais contribuíram para o resultado negativo de 2021, estão o aumento de 6,6% na emissão de carbono em comparação com o ano passado e a redução de 0,5% na biocapacidade florestal global. 

Energias renováveis

Para Markus Vlasits, coordenador do GT de Armazenamento da ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica), os dados apresentados pelo instituto internacional de pesquisas são extremamente preocupantes.

“O estudo mostra, de forma muito clara, que precisamos mudar o nosso estilo de vida e questionar a maneira como a gente se alimenta, os lixos que a gente produz e a maneira pela qual a gente se locomove. Precisamos agir de forma mais inteligente e menos impactante em relação ao meio ambiente”, enfatizou. 

Segundo o coordenador, o próprio Brasil é um dos países que precisa rever a sua política ambiental com urgência. “A atual crise hídrica, mostra a necessidade de uma maior diversificação da matriz energética brasileira”, destacou.

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“É inadmissível um país com tantos recursos naturais ter mais de 30% da sua geração elétrica a partir de fontes fósseis. Isso é totalmente inadmissível, porque sabemos que a solução é aumentar a nossa matriz renovável – principalmente, a solar – que é a fonte que pode ser escalada da forma mais rápida possível”, ressaltou ele.

  

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