Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontaram que, recentemente, o brasileiro se deparou com o nono aumento da gasolina no ano (27,5%). Considerando os últimos 12 meses, a mesma está 37% mais cara.

Ademais, segundo a ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), o preço do litro da gasolina comum já passa dos R$ 7 em pelo menos quatro estados brasileiros: Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Acre e Tocantins. 

Sendo assim, a instabilidade do valor dos combustíveis faz com que os consumidores se atentem a uma tendência mundial: os VEs (veículos elétricos) e híbridos, cuja venda segue crescendo e batendo recordes no Brasil. 

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De acordo com dados da Fenabrave (Federação Nacional dos Distribuidores de Veículos Automotores), os 13.899 eletrificados emplacados no primeiro semestre de 2021 representam 1,4% do total de 1.006.685 veículos comercializados no mercado interno entre janeiro e junho.

Até os primeiros seis meses deste ano, junho tinha sido o melhor mês da série histórica da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), com 3.507 emplacamentos, superando o resultado de maio (3.102), e 2% de participação no mercado (total de 169.589 unidades). Essa participação, porém, já foi superada pelas vendas de julho, que chegaram a um market share de 2,2%.

Os 13.899 carros emplacados no primeiro semestre indicam que a meta inicial da ABVE de 28 mil eletrificados até o final do ano será superada. As vendas deverão passar de 30 mil, o que significa aumento superior a 50% sobre os 19.745 de 2020 – que, por sua vez, foram 66% superiores aos 11.861 de 2019.

A frota total de eletrificados em circulação no Brasil chegou a 56.168 automóveis (2012 a junho de 2021). Segundo Adalberto Maluf, presidente da ABVE, um dos destaques dos números dos primeiros seis meses deste ano é o expressivo crescimento da comercialização de comerciais leves 100% elétricos.

Só a BYD, por exemplo, comercializou 102 furgões ET3 elétricos no período – foi o segundo modelo de BEV (Battery Electric Vehicle) mais vendido no ano.

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“Tivemos um grande crescimento da eletrificação do transporte urbano de carga com a logística verde, de um lado, pelo trabalho das empresas que avançam suas agendas ESG (sigla de Environmental, Social and Governance) e, de outro, pela liderança de prefeituras como São Paulo e Rio de Janeiro, que promovem cidades cada vez mais sustentáveis”, disse Maluf. 

O executivo lembrou, porém, que, apesar do crescimento contínuo do segmento, o Brasil está longe dos principais mercados globais em matéria de eletrificação do transporte.

“Atingimos em junho 2% de market share e 2,2% em julho. São marcas importantes, mas a média mundial é de 4,6%, segundo a Agência Internacional de Energia – e esses 4,6% não incluem os híbridos não plug-in”, completou. 

“Portanto, temos de avançar muito mais, sob risco de o Brasil ficar para trás na corrida global pela eletromobilidade. É a indústria brasileira e os empregos do futuro que estão em jogo”, concluiu. 

Publicado Originalmente no Canal Solar em 2021-09-09 14:25:13