Com a conta de luz cada vez mais nas alturas, os consumidores brasileiros têm buscado a todo custo economizar energia para garantir uma renda extra no final do mês. Não é à toa, por exemplo, que a procura por painéis solares tem crescido de maneira avassaladora neste ano.

No entanto, muitas pessoas acabam partindo para outra linha de pensamento e até cometendo crimes para garantir eletricidade sem precisar pagar por ela. É o caso dos furtos de energia elétrica, num procedimento que é popularmente conhecido como “gato”.

Em 2021, o número de ocorrências registradas pelas concessionárias brasileiras mais uma vez chama a atenção. A CPFL Paulista, por exemplo, informou que, somente no primeiro semestre deste ano, já identificou cerca de 14 mil gatos de energia em todas as cidades da sua área de concessão.

Na comparação com o mesmo período de 2019, houve aumento de 35%. Já, frente a 2020, o número se manteve no mesmo patamar, muito em função do maior número de ações de fiscalização. Ao todo, foram 51 medidas de segurança patrimonial nos primeiros seis meses de 2021, com 1.145 boletins de ocorrência registrados e 54 conduções de criminosos à delegacia.

Entre os municípios com maior volume de fraudes identificadas no primeiro semestre de 2021, Campinas está em primeiro lugar com 3.386 casos. Logo atrás, aparecem Ribeirão Preto e Piracicaba, com 2.267 e 791 casos, respectivamente.

Para os projetos de blindagem de rede, blindagem de medição e regularização de consumidores clandestinos, a CPFL informou que prevê um investimento de R$ 1,02 bilhão até 2025, o maior já realizado na história da concessionária. 

Outras concessionárias

A Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) é outra empresa do ramo de energia que também tem se mostrado preocupada com o problema. No dia 31 de agosto, a concessionária e a Polícia Civil realizaram uma força-tarefa na Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG) para reduzir o prejuízo causado nas contas de luz e conscientizar a população. 

Segundo a companhia, de janeiro a julho deste ano, mais de 225 mil serviços de inspeções foram realizados em unidades consumidoras, com foco na regularização e garantia da conformidade da medição. O prejuízo causado por esse tipo de crime no Estado é de R$ 390 milhões por ano. 

Na região Sul do Brasil, por sua vez, é a Copel (Companhia Paranaense de Energia) que também está preocupada com a quantidade de furtos de energia. A empresa informou que contabilizou cerca de 10,3 mil gatos no Estado do Paraná entre os meses de janeiro e agosto deste ano.

Com cerca de um quarto do ano pela frente, a tendência é que o índice possa superar os crimes registrados em todo o período de 2020, quando cerca de 16,2 mil infrações foram localizadas entre janeiro e dezembro. Em relação aos doze meses de 2019, os números atuais baterão com folga as quase 10,9 mil ocorrências contabilizadas. 

Prejuízos

Os brasileiros já convivem há tempos com os impactos econômicos do aumento do custo de energia elétrica e o furto de energia tem agravado ainda mais esse cenário, uma vez que, além de acarretar riscos de acidentes graves para a população, também onera o consumidor final, já que o desvio é repassado para a tarifa de energia.

Segundo a ABRADEE (Associação Brasileira de Distribuidores de Energia), a ligação clandestina é considerada a segunda maior causa de morte no país relacionada à energia elétrica.

Esse tipo de ocorrência já foi responsável por um prejuízo de bilhões de reais no país e, se não houvesse esta perda de energia, a tarifa poderia ser aproximadamente 5% menor, de acordo com o Instituto Acende Brasil.

Além do problema financeiro, o furto de energia pode provocar defeitos em equipamentos e gerar um aumento no tempo de trabalho dos colaboradores em campo para corrigir as instalações com fraude, prejudicando com isso os consumidores que dependem do recurso. 

Crédito da foto: Leonardo Ferraz / O São Gonçalo.

Publicado Originalmente no Canal Solar em 2021-09-13 08:50:17