A crise energética na China tem impactado a cadeia produtiva de diversos segmentos e milhares de pessoas estão sofrendo com o desabastecimento causado pelas exigências do Governo para descarbonizar a economia, pelo aumento da demanda por eletricidade e pela alta nos preços do carvão e do gás.

No Brasil, profissionais ouvidos pelo Canal Solar relatam receio que esta situação prejudique a indústria fotovoltaica.

Na semana passada, apagões em várias províncias do norte da China desligaram o tráfego e as luzes das ruas, provocando congestionamentos de quilômetros de extensão em várias cidades. Além disso, moradores de prédios de apartamentos altos tiveram que subir as escadas em alguns municípios onde foram suspensos os serviços de elevador para economizar eletricidade.

Na região sul, os moradores estão sofrendo com a escassez de energia desde junho, quando as autoridades locais ordenaram que os fabricantes adotassem o sistema de racionamento,  forçando as fábricas a cortar a produção. A população local conta com grande dependência das hidrelétricas, que acabaram perdendo volume devido à forte seca e ao aumento na exportação do recurso.

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As incertezas com relação ao que vem ocorrendo no país asiático, levaram diversas empresas a suspenderem suas atividades em todas as regiões da China. A Apple e Tesla, por exemplo, cancelaram a produção em algumas fábricas chinesas por vários dias para cumprir políticas mais rígidas de consumo de energia, colocando as cadeias de abastecimento em risco na alta temporada para produtos eletrônicos. 

Em comunicado divulgado à imprensa, nesta segunda-feira (27), a State Grid Corporation of China (Companhia Nacional da Rede Elétrica da China), empresa de energia responsável pela maior parte da operação da rede elétrica do país, declarou que vai implementar políticas públicas para tentar controlar a situação de modo a seguir os princípios do governo com relação à transição energética. 

As medidas envolvem: 

  • Fortalecer o despacho unificado de toda a rede, organizar racionalmente o modo de operação e servir as empresas de geração de energia.
  • Coordenar a implantação de recursos, aproveitar as vantagens da grande plataforma da rede elétrica e aproveitar o potencial de transmissão de energia dos canais inter-regionais e interprovinciais.
  • Aprimorar o monitoramento do consumo de energia elétrica, envidar esforços para garantir o consumo de energia elétrica dos moradores.
  • Implementar resposta à demanda e ao plano de utilização ordenada de energia formulado pelo governo, fazer um trabalho de comunicação e coordenação em tempo hábil e envidar esforços para manter a estabilidade do fornecimento de energia. 
  • Garantir estritamente as responsabilidades de garantia de fornecimento de energia, melhorar planos de emergência, fortalecer ações de emergência na operação da rede e garantir o uso de energia.

Agenda de descarbonização 

Em setembro do ano passado, o presidente chinês, Xi Jinping, prometeu cumprir uma agenda global ousada: reduzir as emissões de carbono no país e, de quebra, alcançar a neutralidade antes de 2060. 

Em videoconferência da Assembleia Geral da ONU, o chefe de estado reiterou seu compromisso com o Acordo Climático de Paris e pediu que o mundo tivesse como foco a proteção do meio ambiente. “O nosso objetivo é atingir o pico de emissões de dióxido de carbono antes de 2030 e alcançar a neutralidade de carbono antes de 2060”, afirmou ele, na oportunidade. 

Pouco mais de um ano depois, a escassez de carvão e gás, e a alta demanda pelos produtos, levaram mais da metade das regiões chinesas a não cumpriram as metas de consumo de energia estabelecidas e agora estão sob pressão para restringir o uso de energia. Entre os mais afetados estão Jiangsu, Zhejiang e Guangdong — um trio de potências industriais que respondem por quase um terço da economia chinesa.

Publicado Originalmente no Canal Solar em 2021-09-27 14:52:47