Incêndios em sistemas fotovoltaicos tomaram conta dos noticiários nos últimos meses. Neste mês, um gerador instalado em uma loja de roupas, localizado na cidade de Rio Claro (SP), pegou fogo e teve parte dos painéis completamente destruídos.

Em setembro, o segundo andar de um escritório de contabilidade, situado em Goiânia (GO), também pegou fogo. Funcionários da companhia e vizinhos observaram que as chamas estavam concentradas próximas ao inversor, instalado na cobertura do prédio.

Situações como estas reforçam a necessidade de empresas de instalação capacitadas, assim como a utilização de equipamentos e tecnologias seguras que possam preservar a vida e a propriedade dos consumidores. Sistemas fotovoltaicos não são perigosos quando projetados e instalados por profissionais habilitados.

Em entrevista exclusiva ao Canal Solar, o capitão Richard Birt, bombeiro que trabalhou durante 30 anos no Las Vegas Fire and Rescue e fundador do S.A.F.E. (Solar And Fire Education), deu dicas sobre como evitar incêndios em projetos solares, destacando a importância, justamente, da capacitação, e das lições que o Brasil pode aprender com os Estados Unidos.

Capacitação

Para Birt, a qualificação dos profissionais que estão trabalhando com energia solar fotovoltaica é um fator fundamental para evitar que um dimensionamento mal feito ou falhas nos pontos de conexão, por exemplo, causem incêndios e danos. “Além disso, a realização da vistoria é essencial para garantir a segurança do sistema”.

No entanto, caso o fogo já tenha se alastrado pelos painéis solares, ele deu algumas orientações: “não toque nas placas quando as chamas já tiverem sido apagadas pois existe risco de choque elétrico. Caso seja possível também, cubra os módulos sem tocá-los. Utilize plástico preto de 3mm de espessura ou lona tradicional”, explicou.

Outro ponto ressaltado é que quando os bombeiros forem acionados é fundamental que os mesmos encontrem uma área no telhado que esteja livre dos módulos e dos eletrodutos que levam os circuitos ao inversor ou ao controlador de carga. “Feito isso, conseguem fazer um buraco para ventilação”.

“Afinal, não vamos saber onde está passando a fiação. Vamos querer resolver o problema, apagar os incêndios e resgatar uma possível vítima. Não podemos parar e nos preocupar se tem fiação. Temos que tomar decisões em questão de segundos”, enfatizou.

Utilização de microinversores

Segundo o especialista, a energia fotovoltaica continuará a crescer exponencialmente no Brasil. Porém, destaca que este tipo de crescimento traz muito a tona preocupações, principalmente, com segurança.

“O país está justamente nesta encruzilhada, onde pode escolher em adotar políticas mais preventivas de segurança ou não. A notícia publicada pelo Canal Solar mostra justamente os erros que enfrentei nos EUA e como temos a chance de evitar tais situações. Inclusive, este tipo de incidente divulgado na reportagem já vi milhares de vezes”, disse.

“As pessoas, às vezes, colocam na balança o peso do preço em detrimento da segurança. Os inversores strings conectados a painéis solares eram nossa única opção há 10 anos, mas, agora, temos a tecnologia de microinversores que pode ajudar a evitar possíveis incêndios”, ressaltou. 

“Enfrentei muitos problemas com risco altíssimo da corrente contínua com os inversores convencionais. No caso, com os microinversores, grande parte do circuito é em corrente alternada o que torna a operação mais segura, tanto para o instalador, tanto para o usuário quanto para o profissional de segurança que atuará neste tipo de ocorrência”, reforçou. 

Leia mais: Diferenças entre microinversores e inversores string

Legislação nos EUA

Outro ponto destacado por Richard Birt é que no momento da escolha do produto é preciso sempre estar atento aos parâmetros normativos que vão estar regendo o mesmo. “É importante também um programa eficiente de manutenção preventiva, que será crucial para a segurança do sistema fotovoltaico”.

De acordo com a legislação dos EUA, o especialista discorreu que para instalações residenciais de pequeno porte é obrigatório a utilização da tecnologia de microinversor ou de otimizador, que possuem o rapid shutdown (desligamento rápido do sistema fotovoltaico). “Ou seja, em casos de urgência, consegue desligar ao nível de módulo”.

Sobre o capitão Birt

O capitão Richard Birt se aposentou em janeiro de 2021 do Las Vegas Fire and Rescue após uma carreira de 30 anos no serviço de bombeiros. Ele e sua família viveram em uma casa por 13 anos que não estava conectada à rede elétrica e era alimentada por um painel solar e sistema de bateria que o mesmo projetou e instalou.

Defensor de longa data da energia renovável, Birt é o fundador da S.A.F.E., que oferece treinamento gratuito para bombeiros em todo o país. O objetivo da instituição é ensinar os bombeiros como mitigar com segurança um incêndio em uma estrutura residencial envolvendo módulos fotovoltaicos e baterias, e como a energia renovável pode ajudar as comunidades a se tornarem mais resilientes a quedas de energia causadas por falhas na rede.

Capitão Ricchar Birt é fundador do Solar And Fire Education (S.A.F.E.). Foto: divulgação

Ademais, liderou um esforço de ajuda humanitária em Porto Rico após o furacão Maria. A missão resultou na instalação de 15 microrredes em postos de bombeiros estrategicamente posicionados em toda a ilha. Essas microrredes permitiram que os serviços de emergência permanecessem operando e salvassem inúmeras vidas, mesmo após a destruição completa da rede elétrica de Porto Rico.

O capitão Birt foi premiado com a Medalha de Honra de seu corpo de bombeiros por seu trabalho em Porto Rico e continua seu trabalho de ajuda humanitária em desastres como consultor técnico para as organizações sem fins lucrativos da Solar Responders e Empowered by Light.

Publicado Originalmente no Canal Solar em 2021-11-19 13:48:13