Usinas híbridas são regulamentadas pela ANEEL

A regulamentação permite combinações de diversas fontes de geração. Foto: IEA

A ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) aprovou nesta terça-feira (30) a regulamentação para o funcionamento de UGH (Centrais Geradoras Híbridas) e centrais geradoras associadas.

O normativo define as regras para a outorga desses tipos de empreendimentos e para a contratação do uso dos sistemas de transmissão, além de definir a forma de tarifação dessas usinas e da aplicação dos descontos legais nas tarifas de uso do sistema de transmissão.

A regulamentação permite combinações de diversas fontes de geração: usinas fotovoltaicas, eólicas, hidrelétricas grandes e pequenas e termelétricas. 

Entre as vantagens elencadas pela ANEEL, estão a complementaridade das fontes de geração, a utilização da rede de transmissão de maneira mais eficiente e estável, a mitigação de riscos comerciais e a economia na compra de terreno e em outros custos.

Segundo Elisa Bastos, diretora-relatora do tema na Agência, a medida contribui para o crescimento da capacidade de geração com menores investimentos em expansão das redes. “A aprovação da regulamentação proposta será um marco para o desenvolvimento das usinas híbridas e associadas, o que propiciará maior diversidade tecnológica, contribuindo para a modernização do setor elétrico brasileiro”, afirmou.

“A regulamentação constitui uma alternativa para o uso eficiente dos recursos disponíveis. A inserção desses empreendimentos no sistema elétrico pode reduzir custos e postergar novos investimentos em expansão, especialmente nos pontos de conexão com a Rede Básica”, acrescentou.

“Essa regulamentação é um salto de qualidade no setor elétrico e agora é a vitrine de nossa agenda de inovação. A Agência está buscando manter o sistema elétrico moderno frente ao atual contexto de transição energética e sustentabilidade. Ao longo de todo o processo de construção do normativo, a ANEEL agiu com previsibilidade e transparência, qualidades que foram reconhecidas recentemente pela OCDE”, comentou André Pepitone, diretor-geral da ANEEL. 

Para Márcio Trannin, vice-presidente da ABSOLAR, a medida é favorável para todo setor elétrico. “Se é hibridizado um projeto eólico com um solar otimiza-se a rede e as linhas de transmissão para fazer com que essa linha seja utilizada por mais horas durante o dia, evitando gastos desnecessários com construções de novas linhas”, exemplifica.

“Com a mesma rede de transmissão consegue-se gerar mais energia, barateando o preço da energia para o consumidor. Outro ponto muito importante é que quando se regulamenta a hibridização pode-se, por exemplo, solar com baterias”, acrescenta.

“Quando se faz um projeto solar integrado com bateria otimiza-se a geração de energia porque nos momentos em que não se tem tanto sol e já se armazenou uma determinada energia nas baterias durante o dia, pode despachar a noite essa energia armazenada. É um passo importantíssimo para o setor elétrico brasileiro. Era uma demanda antiga dos agentes investidores, uma tendência mundial e espero que não só a solar mas outras tecnologias consigam usufruir bastante desta nova regulamentação, especialmente porque ela vem para otimizar a geração de energia do país e geração otimizada significa economia de custo para o consumidor brasileiro”, conclui Trannin.

Projetos em andamento

Atualmente, existe o projeto piloto de outorga associada do complexo eólico Ventos de São Vicente 8 a 14 unido à usina solar fotovoltaica Sol do Piauí (68 MW), construído pela empresa Votorantim. O início da operação está previsto para janeiro de 2023.

Outros projetos também foram concretizados no âmbito do programa de Pesquisa e Desenvolvimento, cujos recursos são geridos pela ANEEL:

  • UHE Sobradinho + UFV; P&D, PD-00372-9990; instalado;
  • UHE Porto Primavera 1 + UFV; P&D, PD-00061-0050, PD-00061-0054; instalado em 2014;
  • UHE Aimorés + UFV; rio Doce; P&D, PD-09344-1704;
  • UHE Itumbiara + UFV; P&D, PD-00394-1606;
  • PCH Santa Marta + UFV; Cemig; P&D, PD-04950-0632;
  • EOL Santo Inácio + UFV Flor de Mandacaru; P&D; desde 2017.
  • Fernando de Noronha; 1992: UTE-diesel + EOL; um raio destruiu a única turbina eólica em 2009; restaurado no âmbito do projeto de Smart Grid, PD-00043-0809, PD-00043-0516.

Segundo a ANEEL, as usinas híbridas já são uma realidade para o sistema isolado desde 2014, nos editais dos leilões e nas outorgas. Foram propostas majoritariamente usinas termelétricas a diesel com adição de outra fonte de geração limpa, como eólica ou solar fotovoltaica. 

Nos sistemas isolados, as principais vantagens verificadas são benefício econômico no valor da energia; economia no consumo de combustíveis fósseis, trazendo a redução de custos com o ressarcimento de CCC (Conta de Consumo de Combustíveis) e a redução de emissão de gases de efeito estufa; e a redução da dependência de apenas uma fonte de energia (no caso, os combustíveis fósseis).

Publicado Originalmente no Canal Solar em 2021-12-01 17:10:13