Projetos de energia solar e eólica crescem 37% no mercado livre

Estudo analisou 91 PPAs, das quais 57 são de projetos de energia solar. Foto: Pixabay

A CELA (Clean Energy Latin America), empresa de assessoria financeira e consultoria estratégica em energias renováveis, publicou um estudo que mapeia os PPAs solares e eólicos no mercado livre brasileiro.

Com base em entrevistas e questionários preenchidos pelas maiores empresas de geração de energia renovável do país, o levantamento traz insights sobre a evolução das duas fontes no segmento.

Ao todo, foram analisados 91 PPAs (Power Purchase Agreement) – acordo ou contrato de compra e venda de energia de longo prazo – assinados no ACL (Ambiente de Contratação Livre), dos quais 57 são de projetos de energia solar e 34 de eólica, totalizando cerca de 2.6 GW médios contratados.

Em termos de capacidade instalada dos projetos com energia contratada, o levantamento aponta que o Brasil conta com aproximadamente 10,7 GW em projetos de energia solar (8,3 GW) e de eólica (2,5 GW). 

Em entrevista ao Canal Solar, Marília Rabassa, diretora da CELA, destacou que os números apresentados na pesquisa são promissores e mostram um amadurecimento da energia solar e eólica no mercado livre. “O mercado aprendeu e ganhou experiência em entrar em contato com o cliente final e fazer a assinatura dos PPAs, o mostra que a solar e a eólica estão ficando com mais expertise dentro do ACL”, avaliou. 

Volume de projetos contratados de energia solar e eólica cresce 37% no mercado livre

Estudo da CELA apresenta números sobre as energias solar e eólica no mercado livre. Foto: CELA/Divulgação

Segundo ela, apesar das condições macroeconômicas e de cadeia de suprimentos terem sido mais desafiadoras no último ano, o que proporcionou aumento nos preços dos PPAs assinados, o volume de projetos assinados ainda sim foi 37% maior do que os mapeados em 2020. 

“Apesar dos problemas enfrentados, o mercado ainda cresce, o que mostra a atratividade do ACL e como isso tem sido a chave para que as empresas geradoras de grande porte possam viabilizar seus projetos”, destacou. 

Marília explica que o crescimento esperado no começo de 2021 era maior do que os 37% apresentados no ano passado, mas que, em razão de todos os problemas listados, a desaceleração em relação ao ano anterior é compreensível.

“Tínhamos identificado um crescimento de 260% entre 2019 e 2020. Ou seja, esse ano, mesmo tendo uma desaceleração, ainda tivemos um crescimento bom, tendo em vista todos os desafios”, ressaltou.  

Marília pontuou ainda que as instituições financeiras que fornecem parte do capital para os projetos estão hoje mais diversificadas e que o perfil dos offtakers dessa energia no ano passado foi majoritariamente à Indústria e menos às comercializadoras. 

“Os PPAs estão, cada vez mais, sendo assinados com os consumidores finais, no caso, com os consumidores eletrointensivos. Essa é, inclusive, uma tendência que nós já tínhamos identificado no ano passado, mas, que, em 2021, se consolidou”, finalizou.

Publicado Originalmente no Canal Solar em 2022-03-22 16:00:27