O Brasil registrou, entre os meses de janeiro e agosto deste ano, a oficialização de 24 fusões e aquisições de companhias ligadas ao setor de energias renováveis, segundo levantamento da Redirection International.

Segundo a empresa de consultoria, o potencial brasileiro para a geração de energia limpa e a regulamentação dos ativos ambientais no mercado interno deverão impulsionar ainda mais novas fusões e aquisições no setor e atrair mais investimentos em renováveis.

“A busca por soluções para resolver questões climáticas está acelerando a transição energética global. No Brasil, as corporações estão dando mais atenção à agenda ESG, incorporando boas práticas de sustentabilidade ambiental, responsabilidade social e de governança às suas atividades”, disse Adam Patterson, economista da Redirection International.

O profissional comentou ainda que do ponto de vista das fusões e aquisições as indústrias e as empresas que apresentam as melhores métricas ESG, em geral, são as que atraem mais a atenção dos investidores.

Não é à toa que uma projeção da Global Market Insights, por exemplo, aponta que a economia sustentável no mundo deverá crescer mais de 22% nos próximos dez anos e chegar a US$ 30,9 trilhões até 2032, o que equivalente a mais de R$ 154 trilhões na cotação atual.

“A corrida por produtos mais sustentáveis e energia de baixo carbono abre um universo de possibilidades para as empresas e as transações são um caminho interessante para explorar, tanto para aquisições de ESG, quanto como forma adicional de se pensar as fusões e aquisições”, comentou Patterson.

Outros setores

A agenda ambiental tem ganhado mais espaço no Brasil, não somente no mundo corporativo. O poder público também corre contra o tempo para criar mecanismos de regulação interna dos ativos ambientais.

Uma das iniciativas, em discussão no Congresso Nacional, por exemplo, é a regulamentação do mercado de crédito de carbono, que estabelece limites para a emissão de gases pelas empresas e cria novas regras para compra e venda dos créditos.

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Além disso, o Comitê Soberano de Finanças Sustentáveis, criado pelo Governo Federal em maio deste ano, deve fazer ainda em setembro a primeira emissão de títulos públicos verdes no mercado internacional.

“Governos de todo o mundo, incluindo o Brasil, estão criando regulamentações e políticas próprias para incentivar as práticas sustentáveis e isso é muito positivo para desenvolver um ambiente de negócios favorável para fusões e aquisições, trazendo mais segurança jurídica aos investidores”, finalizou Patterson.

Publicado Originalmente no Canal Solar em 2023-09-06 16:48:37